O atrito entre o Palácio do Planalto e a cúpula do esporte mais popular do país ganhou um novo capítulo quando, em Recife, na sexta-feira, dia 25, o presidente Lula voltou à carga contra o modelo de patrocínio que sustenta boa parte dos grandes times brasileiros. Segundo o Lance!, ele foi taxativo ao afirmar que pretende "acabar com isso" antes que a ligação entre agremiações e plataformas de apostas "prejudique o país" — fala que se somou ao compromisso, também mencionado por ele, de enfrentar o vício que essas plataformas alimentam entre torcedores.

Na mesma ocasião, ainda conforme reproduzido pela publicação, o petista questionou para onde vai o dinheiro desembolsado pela torcida e como ele acaba se transformando em salários milionários de atletas. A crítica não se limitou ao discurso: Lula trouxe números à tona. De acordo com o presidente, o Flamengo recebe R$ 240 milhões e o Corinthians, R$ 150 milhões, ambos oriundos justamente desse tipo de patrocínio — recursos que, em sua avaliação, os dois clubes precisarão repor com outras fontes caso as apostas esportivas, como ele prevê, deixem de existir.
Uma lei que "não pegou", segundo Lula
Ainda no evento pernambucano, o presidente recorreu à Lei das SAFs para reforçar seu argumento. Disse, conforme registrado pelo Lance!, que a norma foi criada para converter agremiações em empresas de verdade, mas que isso não aconteceu porque elas preferem faturar com o setor de apostas. Na sequência do raciocínio, sustentou que Flamengo e Corinthians terão de descobrir alternativas de receita, já que esse tipo de patrocínio segue sendo fundamental para os cofres dos clubes mesmo depois da adoção do novo modelo societário. Para ele, a saúde financeira das equipes não deveria se apoiar em torcedores de baixa renda.
Memphis Depay entra na mira em Maceió
Dias mais tarde, já em Maceió, o presidente retomou o assunto mirando um caso pontual — sem, no entanto, citar nomes. De acordo com o Lance!, ele criticou o alto salário pago pelo Corinthians a um atleta, menção que a reportagem relaciona a Memphis Depay, camisa 10 do time paulista. Lula lembrou que o clube bancava R$ 250 mil para a hospedagem do holandês em um hotel, benefício previsto em cláusula do contrato anterior do jogador.
Resistência organizada
O avanço do discurso presidencial, porém, encontra pela frente uma reação já estruturada dentro do próprio meio esportivo. Quinze dos vinte participantes da Série A do Campeonato Brasileiro chegaram a subscrever um manifesto no qual alertam que proibir as apostas esportivas empurraria o setor para um colapso financeiro — resposta direta ao caminho que Lula sinaliza querer trilhar e que antecipa uma disputa que promete se arrastar como um dos capítulos mais tensos entre governo e futebol nos próximos meses.