Cinco taças em pouco mais de um ano. Esse é o legado que Jorge Jesus construiu no Flamengo na virada de 2019 para 2020 — Brasileirão, Libertadores, Carioca, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana — e que o imortalizou na memória da torcida rubro-negra. Agora, o técnico de 71 anos pode alcançar o posto mais alto de sua carreira: o posto de selecionador de Portugal.
Conforme publicado pelo jornal português A Bola, Jesus e o presidente da federação portuguesa devem se reunir assim que a delegação retornar ao país, com o propósito de firmar os termos do contrato. O encontro representaria o passo formal de uma transição que, ainda segundo a imprensa lusitana, Jesus vinha cultivando há algum tempo: o estrategista teria recusado abordagens do Fenerbahce — equipe que já dirigiu há três anos — e também do Al Ahly, do Egito, porque carregava o desejo de assumir a seleção logo ao fim do Mundial.
Portugal cai nas oitavas, Martínez deixa o cargo
O desfecho que escancarou a vaga veio na última segunda-feira. A equipe portuguesa foi afastada pela Espanha com uma derrota por 1 a 0 nas oitavas de final, encerrando uma participação marcada pela instabilidade: vitória expressiva diante do Uzbequistão, mas empates com a República Democrática do Congo e a Colômbia, o que resultou apenas na segunda posição do grupo — aquém do esperado para uma das candidatas ao título.
Com a queda, Roberto Martínez se despede do cargo. O espanhol respondia pelo time desde 2023 e havia erguido a Liga das Nações em 2025. Sua passagem inscreveu-o em uma lista restrita: foi apenas o terceiro estrangeiro a guiar Portugal em Copas do Mundo, feito que, antes dele, pertencia exclusivamente aos brasileiros Otto Glória, em 1966, e Felipão, em 2006.
Um ciclo de quatro anos no horizonte
O apelo de Jesus para a federação vai além do currículo. Segundo A Bola, ele é encarado como o candidato ideal para encabeçar o projeto rumo ao Mundial de 2030, edição que terá Portugal entre as nações anfitriãs. Fora de atividade desde maio, quando encerrou seu ciclo vitorioso no Al Nassr ao conquistar o Campeonato Saudita, Jesus chegaria ao cargo com fôlego e disponibilidade para moldar um novo grupo.
No Brasil, o nome do Mister também circulou antes de a CBF selar o acordo com Carlo Ancelotti para o banco da seleção brasileira — prova do prestígio que o técnico acumulou por aqui durante sua memorável passagem pelo Flamengo. Agora, a perspectiva é a de que ele troque as cores rubro-negras pelo escudo da nação que o viu nascer.