Cinquenta e sete convocações pela seleção italiana. Um Campeonato Brasileiro, uma Copa Libertadores e um Campeonato Carioca erguidos com o Flamengo. Uma história que o próprio protagonista classifica como "incrível". Mesmo diante desse currículo, há uma cicatriz que não fecha: o meia ítalo-brasileiro Jorginho jamais pisou em um Mundial. Foi na FlamengoTV — em publicação desta segunda-feira (7) — que ele expôs, com rara transparência, o peso dessa ausência.

Uma coincidência cruel
O recorte temporal conta tudo. De 2016 a 2024, enquanto Jorginho defendia a Azzurra, a Itália ficou de fora de três edições consecutivas do torneio. O último Mundial dos italianos remontava a 2014, no Brasil — antes, portanto, de qualquer chamado do meio-campista à equipe nacional. A sobreposição desses dados revela algo doloroso: em toda a janela em que ele esteve elegível para defender o país europeu, a classificação simplesmente não veio.
"Se a Itália estivesse, eu queria estar jogando. Mas como não estava, é uma questão triste. O momento que a seleção italiana passa, e me inclui nisso também, porque eu estava lá em duas das chances de ir para a Copa, é difícil e triste. É algo que, infelizmente, está faltando na minha carreira", declarou.
O equilíbrio entre gratidão e frustração marcou cada palavra. "Eu diria que tenho uma carreira incrível, de onde eu saí, a minha história. E essa é uma coisa que está marcada para mim. É algo que machuca. Não é simples, porque, ao mesmo tempo que você é grato por tudo que fez, você sabe que faltou tão pouco para poder alcançar aquilo também. Mas faz parte", concluiu Jorginho.
Torcedor do Brasil nas arquibancadas
Nascido em solo brasileiro, o camisa 8 acompanhou a Copa na condição de espectador apaixonado — não exatamente imparcial. Sem a hipótese de naturalização que lhe abrisse as portas da Amarelinha, ele revelou ter vibrado pela seleção verde-e-amarela do começo ao fim. "Eu estava assistindo o Brasil como torcedor. Mesmo sabendo que não existe a possibilidade [de se naturalizar], eu assisti como torcedor, porque é o país que eu nasci, eu amo muito o Brasil. Então, eu estava torcendo sempre pelo melhor para o Brasil", disse.
Referência no Ninho
No Flamengo, o enredo é outro. Desde junho de 2025 no clube — quando trocou o Arsenal pela Gávea —, Jorginho consolidou-se rapidamente como uma das referências do grupo. Em pouco mais de um ano com o Manto, já acumula três taças: Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores e Campeonato Carioca.