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Jorginho declara que se tornou flamenguista após primeiro ano no clube

Passando pela Flamengo TV nesta segunda-feira, o meio-campista ítalo-brasileiro revelou uma mudança de identidade que vai muito além dos títulos — e que ele mesmo não antecipava quando desembarcou no Rio

Por Redação O Flamenguista08 de julho de 2026

Na matéria: Jorginho

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Doze meses raramente bastam para transformar a identidade de alguém. No caso de Jorginho, foram suficientes. Com total naturalidade, o meio-campista confessou ao canal oficial do clube o que poucos esperariam escutar de um jogador formado inteiramente no futebol europeu: "Ah, virei flamenguista. Aprendi muito sobre o que ia ser Flamengo."

A frase carrega um peso que só se entende conhecendo a trajetória de quem a pronunciou. Nascido na Itália, criado em Portugal e lapidado nos gramados do Velho Continente, o jogador chegou ao Flamengo em junho de 2025 com uma história afastada da cultura rubro-negra — seu pai, inclusive, conta que o filho cresceu torcendo pelo São Paulo. A conversão, portanto, não foi instantânea nem decorativa. Ela foi forjada por vivências que ele próprio classifica como singulares.

A intensidade que transforma

O ritmo do futebol brasileiro, na leitura de Jorginho, não encontra equivalente no que conheceu do outro lado do Atlântico. "Um ano no Flamengo parece ser uns três da Europa, com a quantidade de jogos, com as distâncias de viagem, com as logísticas, com a intensidade da torcida, do carinho", explicou. Esse compasso acelerado, longe de esgotar, parece ter apressado também o processo de identificação com o Mengão. Ao encerrar esse ciclo, o jogador já havia levantado o Brasileirão e a Libertadores — conquistas que, segundo ele, cimentaram a transformação pessoal que descreve com gratidão.

Há, porém, uma dimensão mais contemplativa nessa história. Jorginho relata que, em determinado momento, decidiu parar e observar com atenção tudo o que o cercava: "Muitas vezes a gente esquece de parar um minuto para entender o que tá ocorrendo realmente. Sou uma pessoa que gosta de observar, de poder realmente sentir tudo que tá se passando e compreender." Esse instante de lucidez, segundo ele, foi decisivo.

Amistosos como reencontro e laboratório

Com a interrupção prolongada imposta pela Copa do Mundo, o elenco rubro-negro atravessa uma fase de reagrupamento — e Jorginho enxerga nesse período uma função que ultrapassa o simples descanso. "Reagrupar a equipe, porque teve uma parada bastante longa, cada um foi para um lado, curtir sua família, seu tempo livre. Então passar esse tempo junto, todo dia no hotel, no treino, você se reconecta com o grupo", detalhou.

Os amistosos, nesse cenário, não são tratados como protocolo. Para ele, vestir o manto em campo — independentemente da natureza do compromisso — tem valor preparatório real: "A partir do momento que você entra em campo representando o manto e a nação, você tem que jogar para valer, porque querendo ou não, são esses jogos que te preparam para quando começar de novo o campeonato e chegar a Libertadores."

O trabalho de Leonardo Jardim nos treinos também ganhou destaque em sua análise. Durante a temporada regular, com partidas a cada três dias, sobra pouco espaço para trabalhar situações específicas — pressão alta, construção na saída, parte ofensiva. A janela aberta pela pausa tem sido aproveitada pelo técnico. "A cobrança maior é sempre treinar como se fosse jogar, né? Porque o jogo é o espelho do treino", ressaltou Jorginho.

O peso da Itália e os próximos desafios

A passagem pela Copa do Mundo na condição de comentarista trouxe à superfície uma ferida ainda aberta. Acompanhar a Itália fora do torneio não foi simples para quem construiu parte de sua história naquele país. "É um momento difícil e triste para a seleção italiana. É algo que, infelizmente, tá faltando na minha carreira, uma trajetória gigante, de onde saí, a minha história. E essa é uma coisa que tá meio que marcada assim para mim", admitiu. Ao mesmo tempo, seguiu os jogos também pela ótica de quem torce pelo Brasil — nação em que nasceu e pela qual nutre profundo carinho.

De volta ao Flamengo, as expectativas para a reta final da temporada são elevadas — e o jogador sabe exatamente de onde elas brotam. "A expectativa quando você joga pelo Flamengo é sempre alta, mas a expectativa vem do que o clube em si e a equipe vêm fazendo." O raciocínio é direto: os títulos acumulados alimentam a cobrança, e ele não desvia dela. Nas oitavas da Libertadores, o Cruzeiro surge como um adversário respeitado, com muito ainda por definir. Antes disso, o confronto nos amistosos com o Benfica — clube que, assim como o Flamengo, prima pelo controle do jogo — deve, nas palavras do próprio, "ser um belo espetáculo".

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