A cena capturou em poucos segundos o que levaria parágrafos para descrever. Logo após o apito final da partida contra o Benfica, no Estádio Algarve — encerrada com placar de 2 a 1 para o Flamengo —, Jorginho estava no meio de um papo com a imprensa quando Joshua, Johnny e João Victor chegaram em forma de algazarra e cortaram tudo. "Paizão, só dá conselho. Tem que escutar a experiência", disparou Joshua, entre risos. O momento, aparentemente espontâneo, traduz com precisão o lugar que o volante passou a ocupar desde que desembarcou no clube: o de principal ponto de referência para os atletas mais novos do elenco.
Conselhos que vêm da vivência
Longe de encarar o apelido como simples provocação, Jorginho carregou a responsabilidade com naturalidade. O camisa 21 admite que costuma ser "chato" no cotidiano com os garotos do Ninho, mas garante que a insistência tem destino certo — o desenvolvimento deles, dentro e fora do campo.
"Eu acredito que seja muito bom. Os meninos têm essa oportunidade de estarem com a gente. Torço para que eles escutem bem. Porque é uma oportunidade, eu já passei por isso e eu era que nem esponja, eu só absorvia, absorvia, absorvia. E eu acredito que eles têm uma grande oportunidade de poder aprender muito, tanto dentro de campo como fora. Então, quando a gente é meio chato é só para o bem deles, porque com certeza se eles estão no Flamengo hoje, se eles estão junto com a primeira equipe, é porque eles têm um grande potencial para o futuro deles e o que a gente quer é ajudar", explicou o volante.
Jorginho reconhece ainda que o ritmo de amadurecimento não é uniforme — cada garoto tem seu tempo —, mas isso não abala a confiança que deposita no grupo. "Tem uns que dão mais (trabalho), tem uns que dão menos, mas faz parte. Faz parte do processo de amadurecimento, mas são todos meninos bons que têm um grande futuro pela frente e é importante eles escutarem. Porque quando a gente é chato, a gente fala, é só pro bem deles", acrescentou.
Intertemporada e o peso de vestir a camisa
Para além do papel de conselheiro, Jorginho também se debruçou sobre o período de pré-temporada em Portugal. A seu ver, o título do Torneio de Algarve — conquistado com gols de Samuel Lino e Wallace Yan diante do Benfica — carregou um significado que extrapolou o troféu em si.
"Foi uma cara mais de jogo valendo mesmo, mas eu falei no vestiário que jogo valendo é todo jogo. A partir do momento que você veste essa camisa e está representando esse clube, o jogo é a vera. Entramos sérios em todos os jogos para querer ganhar e foi isso que a gente fez", avaliou.
O meio-campista ressaltou ainda o duplo proveito da intertemporada: a recuperação física diante de um calendário exigente e a recomposição dos laços dentro do grupo. "Foi importante também para descansar, porque a sequência de jogos é muito grande. Foi muito positivo também para esse ponto de estarmos juntos, reconectar com o grupo para todo mundo trabalhar aspectos que talvez durante a temporada não tenha possibilidade pela intensidade dos jogos e viagens. Acredito que tenha sido algo muito positivo para todo o grupo e para o trabalho dele", concluiu.